Pesquisa além do CyberBullying
Pesquisa além do CyberBullying

MUITO ALÉM DO CYBERBULLYING:
A VIOLÊNCIA REAL DO MUNDO VIRTUAL

Uma parceria entre o Instituto Avon e a Decode

Sempre atento a formas de investigar e diminuir as violências contra mulheres e meninas, em 2019, o Instituto Avon se uniu à Decode, empresa especialista em pesquisa digital, para realizar um levantamento inédito sobre as violências praticadas na internet.

Entre janeiro de 2019 e março de 2020, foram analisados mais de 286 mil vídeos, 164 mil notícias e mais de 154 mil menções virtuais - posts, textos e artigos - compartilhados nas plataformas digitais. No entanto, com a chegada da pandemia e o aumento da presença da internet na vida social, foi realizado um novo levantamento de dados - entre julho de 2020 e fevereiro de 2021.

“Em um mundo cada vez mais digital, que vem redefinindo as relações sociais, é fundamental que se debata, com urgência, a banalização da violação de direitos e a violência. Esse é um dos propósitos desta pesquisa inédita, que traz dados importantes para propor a reflexão e as mudanças necessárias para coibir a violência virtual. Na era da informação, façamos dela nossa principal ferramenta para a transformação. Seguimos juntas e juntos, em todas as esferas, por todas as mulheres.”

Daniela Grelin, diretora executiva do Instituto Avon

Confira, aqui, algumas das principais informações encontradas no estudo.

CONFIRA, AQUI, ALGUMAS DAS PRINCIPAIS INFORMAÇÕES ENCONTRADAS NO ESTUDO.

- Entre 2019 e 2020, o levantamento identificou mais de 152 mil relatos de violência contra meninas e mulheres, o que corresponde a 87 relatos de violação por dia.

- A organização das Nações Unidas (ONU) estima que 95% de todos os comportamentos agressivos e difamadores na internet tenham mulheres como alvos.

- Foram observadas diversas formas de propagação de violências contra meninas e mulheres na internet, sendo as mais comuns: o assédio, o vazamento de nudes, a perseguição/stalking e o registro de imagens sem consentimento.

- Metade dos casos de assédio envolvem recebimento de mensagens não consensuais com conteúdo de conotação sexual.

- Envio de fotos íntimas e comentários de ódio contra as mulheres também foram relatados.

- Ex-companheiros são relacionados a 84% dos relatos de stalking (perseguição praticada nos meios digitais).

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DURANTE A PANDEMIA:

- O assédio nas interações virtuais é apontado como a principal violência (38%) sofrida por mulheres e meninas em esferas digitais durante a pandemia.

- Em segundo lugar, está o vazamento de imagens íntimas (24%).

- Houve crescimento de 35% no acesso aos três principais sites de pornografia durante a pandemia, indicando que usuários desse tipo de conteúdo passaram a consumi-lo com maior frequência.

- Nas plataformas analisadas, vídeos com teor ou alusões a violência e assédio contra meninas e mulheres apresentaram volume 55% maior de visualizações no período avaliado.

Os efeitos das violências virtuais são reais*:

35% das vítimas relatam terem desenvolvido medo de sair de casa
21% das mulheres que passara por violência excluíram suas contas em redes sociais
30% relatam efeitos psicológicos sérios

Violações que acontecem no espaço digital não são menos graves ou relevantes do que aquelas que acontecem em interações face a face.

"A pesquisa traz dados expressivos, demonstrando que a internet é um lugar repleto de possibilidades de violências contra meninas e mulheres, que assumem formas heterogêneas, multifacetadas e complexas.

Na prática, isso significa que há vários nomes e tipos de situação de violação: assédio, cyberstalking ou perseguição, vazamento de nudes, entre outros. E, ao contrário do que muita gente pensa, violações que acontecem no espaço digital não são menos graves ou relevantes do que aquelas que acontecem em interações face a face. Só que, para além de um espaço potencialmente perigoso, a internet também funciona como um ambiente para o qual meninas e mulheres recorrem em busca de informações, ajuda e apoio, seja para compartilhar suas histórias ou mesmo para fazer denúncias."

Beatriz Accioly, coordenadora da causa de Violências do Instituto Avon

Com o levantamento, o Instituto Avon espera que mulheres reconheçam, identifiquem e saibam como agir para combater a violência nas redes, propiciando o debate e as denúncias de abusos e violência digital contra mulheres e meninas.